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Conselheiros do CAU/PA participam de encontro do CAU Brasil para discutir as normas éticas nos meios digitais

Comissão de Ética e Disciplina estuda criar normas específicas para divulgação de serviços na internet

 

Divulgação nas redes sociais traz uma série de novas possibilidades e desafios para arquitetos e urbanistas. Em um mercado competitivo, essas práticas inovadoras são muito importantes para o exercício profissional, mas devem observar as normas do Código de Ética e Disciplina do CAU Brasil. Essas práticas e relações construídas nas redes sociais foram objeto das discussões do 20º Seminário Regional da Comissão de Ética e Disciplina (CED) do CAU Brasil, realizado nos dias 4 e 5 de novembro de forma híbrida. Conselheiros do CAU Brasil e dos CAU dos Estados e do Distrito Federal estiveram reunidos de forma presencial em Brasília e também remotamente de suas regiões, por meio de aplicativo de teleconferência. “Objetivo deste seminário é estruturar o entendimento do CAU no âmbito dos processos ético-disciplinares, no que tange à atuação profissonal por meio das mídias sociais: vendas de projetos, ofertas de serviços, divulgações de trabalhos, etc”, disse o coordenador da CED-CAU/BR, Fabricio Lopes Santos (AM).

 

Conheça o Código de Ética e Disciplina do CAU Brasil

 

“É o primeiro passo de uma resolução para orientar a atuação dos arquitetos na internet”. Presidente do CAU Brasil, Nadia Somekh, reforçou o objetivo de trazer do CAU para a contemporaneidade, reforçar o entendimento dos conselheiros sobre as transições e as modificações da atualidade. “Essa evolução tecnológica acelerou processos e disputas, que nos fazem pensar na necessidade ética de resgatar um humanismo inerente à profissão de arquiteto e urbanista”, afirmou. “É decisivo formar nossos alunos nessa perspectiva ética, para que nossos futuros profissionais tenham compromissos e valores.” Evento trouxe palestras de arquitetos e urbanistas e de conselheiros, apresentações de boas práticas dos CAU/UF e outros Conselhos Profissionais e ainda dinâmicas de grupo para obter elementos para a redação de uma nova resolução sobre ética nas redes sociais.

 

O conselheiro do CAU Brasil Guivaldo Baptista (BA), membro da CED-CAU/BR, resgatou os princípios que nortearam a concepção do Código de Ética, ainda em 2013. “Precisamos preparar, além de bons arquitetos, arquitetos bons. Para além da técnica, a questão da suficiência ética. Bom no sentido de parceiro social, cooperador. Não é regra que vai consertar indivíduo nenhum, é preciso fazer um pacto de construção moral, de forma coletiva”, disse. Para ele, tanto os profissionais como a sociedade precisam ter clareza de quais são os protocolos de segurança adotados pelo CAU com relação à prestação de serviços em Arquitetura e Urbanismo.

 

Evento foi realizado com participantes reunidos presencialmente na sede do CAU Brasil em Brasília e também de forma remota

 

DESAFIOS
Para o conselheiro do CAU Brasil Roberto Salomão (PE), é preciso agora entender de que forma estão se dando essas novas relações nas redes sociais, sobretudo agora no pós-pandemia. Ele apresentou dados de crescimento das mídias sociais desde a pandemia de covid-19. “Número de usuários aumentou mais de 13% no ano passado, com quase meio bilhão de novos usuários no mundo. No Brasil, o número de usuários de internet cresceu em mais de 10 milhões de pessoas, quase 7% a mais entre 2020 e 2021. Comércio eletrônico já e usado por 39% dos brasileiros”. Salomão destacou ainda que a grande maioria dos arquitetos e urbanistas cresceu em um mundo conectado. Mais de 60% dos profissionais são ‘millenials’, com idades entre 24 e 39 anos, formados sobretudo em faculdades privadas.

 

Tratam-se de jovens adultos que são autônomos, têm múltiplas carreiras, são informais e imediatistas e têm mais facilidade para assumir riscos. “Conhecer as diferenças e as peculiaridades de cada geração, portanto, pode impactar nas escolhas para o desenvolvimento profissional hoje”, afirmou Salomão. Já a conselheira do CAU Brasil Giedre Ezer (ES), também membro da CED-CAU/BR, comentou diversas situações do cotidiano profissional em que o Código de Ética e Disciplina deve ser observado. “Grande parte dos consumidores de arquitetura está no mundo virtual buscando e consumindo informações, portanto é necessário estar inserido nas mídias sociais, como Facebook, Pinterest, Instagram”, destacou.

 

“Porém, arquitetos acabam vendendo como projeto um estudo volumétrico ou um layout, acabam dando nomes iguais para coisas distintas. Temos que ter classificações distintas para serviços diferentes, e universalizar isso. Objetivo é atender o cliente com resultado dentro do contexto que ele precisa”. Giedre ressaltou ainda casos de estudantes que se aproveitam das redes sociais para vender serviços de forma irregular, sem registro no CAU. “Muitos alunos colocam projetos nas redes sociais, e as pessoas chegam até eles achando que são profissionais. Às vezes acabam exercendo ilegalmente a profissão, isso acontece em todo o país. Precisamos dar esse direcionamento”, disse.

 

 

CASOS E SOLUÇÕES
O Seminário Regional da Comissão de Ética e Disciplina (CED) do CAU Brasil trouxe ainda apresentações de casos de sucesso nos CAU/UF e também em outros Conselhos Profissionais. Recentemente, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) modificou sua normatização referente a divulgação de serviços de advocacia. Segundo o secretário-geral adjunto da OAB Nacional, Ary Raghiant Neto, objetivo foi modernizar as regras para atender à nova realidade das mídias sociais. “Para redigir o novo texto, pensamos em mudanças de acordo com a transformação tecnológica: redes sociais, links patrocinados e anúncios pagos.”

 

Segundo Ary, foram fundamentais as audiências públicas promovidas de forma presencial em 14 estados, cada uma com 100 a 500 advogados, além de 85 apresentações por meio de teleconferências. “Conseguimos dialogar com 100.000 profissionais. Havia uma resistência muito grande no Conselho Federal da OAB, e essas audiências públicas foram fundamentais para mostrar a necessidade de mudar, mas sem deixar de atender alguns princípios da profissão”, disse. Ele destacou que a OAB criou ainda um Comitê Regulador Nacional para acompanhar as evoluções tecnológicas e orientar os estados sobre o que é melhor para a profissão. “Estamos dando mais liberdade, mas estabelecendo limites. Não podemos nem banalizar nem vulgarizar a nossa publicidade.”

 

AÇÕES EDUCATIVAS NO CAU/PA

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Pará investiu em ações educativas nas redes redes sociais sobre a Ética e Disciplina. Os conteúdos são veiculados mensalmente e visam a divulgação online das regras do Código de Ética e Disciplina do CAU/BR. A Campanha intitula-se Gotas de Conscientização, fazendo referência às publicações periódicas que buscam conscientizar e dar visibilidade às regras deste importante documento. Essa ação foi suficiente para conscientizar mais e diminuir infrações ao código de ética no exercício profissional.

A troca de experiências dos CAUS UFs com a reflexão e elaboração articuladas com diretrizes da Comissão de Ética e Disciplina do CAU-Br permitem o maior fortalecimento de nossas ações orientativas para que infrações e denúncias sejam evitadas. – afirma Ana Kláudia Perdigão, Coordenadora da Comissão de Ética e Disciplina do CAU/PA

 

RENOVAÇÃO E PRÓXIMOS PASSOS

O Seminário Regional da Comissão de Ética e Disciplina do CAU Brasil (CED-CAU/BR) também promoveu dinâmicas de grupo para levantar consensos e questionamentos quanto a novas regras para atuação ética dos arquitetos e urbanistas no uso de redes sociais. Com esses elementos, a Comissão vai formular propostas de encaminhamentos a serem debatidas e refinadas em um próximo seminário. “Vamos discutir profundamente em um segundo evento, juntamente com novas coletas de opiniões e consulta pública entre os profissionais. Acreditamos que a criação de uma resolução exclusiva que trate da divulgação em redes sociais seja o melhor caminho”, afirmou o coordenador da CED-CAU/BR, Fabricio Lopes Santos. “Paralelo a isso, queremos trabalhar com campanhas de publicidade, palestras e materiais orientativos, como cartilhas virtuais e impressas”.

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