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Contrariando expectativas, arquiteto estrelado cria prédio ‘invisível’ para o Facebook

De todos os arquitetos do mundo que Mark Zuckerberg poderia escolher para projetar a nova sede de seu Facebook, foi o canadense Frank Gehry, 86 anos, o eleito para a missão. Gehry se notabilizou a partir dos anos 1980 com prédios mirabolantes que parecem ter as partes soltas ou estarem se desfazendo, como o Museu Guggenheim de Bilbao ou a Disney Concert Hall, em Los Angeles. Por isso, muita gente apostou que a história se repetiria, e o Facebook ganharia um complexo gigantesco e desafiador da engenharia e da gravidade. Para essas pessoas, a nova sede da empresa é um grande anticlímax.

Vista aérea do QG do Facebook: difícil de saber onde começa e onde termina (Foto Facebook)

Gehry sempre manifestou a convicção de que, mais do que oferecer abrigo, a arquitetura deve ter a habilidade de provocar experiências. A ideia aparece no recém-lançado The Life and Work of Frank Gehry (A vida e o trabalho de Frank Gehry), do crítico de arquitetura e vencedor do prêmio Pulitzer Paul Goldberger. Também é presente na trajetória de toda a constelação de arquitetos da qual Gehry faz parte, incluindo nomes como Zaha Hadid e Rem Koolhaas. O grupo ganhou fama a partir dos anos 1990 com obras extravagantes que alavancaram o ofício ao status de celebridade.

Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, uma das obras-primas de Gehry

Nas últimas décadas, porém, os custos para botar essas estruturas em pé e a falta de conexão com o entorno das cidades onde foram construídas colocaram a turma sob fortes críticas. O próprio Gehry reagiu muito mal ao novo momento. No ano passado, levantou o dedo do meio durante uma coletiva de imprensa após ser questionado por um repórter se a arquitetura que fazia não passaria de espetáculo.

Tivesse Gehry esperado mais um ano e conseguiria resposta muito melhor: a própria sede do Facebook. O prédio chama a atenção não por sua estrutura mirabolante, mas por ser quase invisível. Com 40.000 metros quadrados e capacidade para abrigar os 2.800 funcionários da empresa, é coberto por um jardim que faz com que a vista aérea do local se resuma a grama, árvores e trilhas. A solução, ecologicamente correta e visualmente interessante, continua oferecendo uma experiência, só que de outra ordem.

Por dentro, é o maior escritório aberto do mundo. Exceto por algumas salas de reunião, não há divisórias nem salas exclusivas. A disposição é um incentivo à troca de ideias e ao trabalho em equipe. O próprio Zuckerberg trabalha em uma mesa instalada entre as dos demais funcionários, tema de um vídeo postado por ele algumas semanas atrás:

A cobertura verde do Facebook e seu interior despojado comprovam que o “menos é mais” voltou a imperar na arquitetura. No início deste mês, Zaha Hadid teve de refazer as contas e seu projeto para o estádio das Olimpíadas de Tóquio. Ninguém duvida da capacidade dos arquitetos estrelados de se reinventar e aplicar um bem-vindo redutor a seus espetáculos.

Frank Gehry levanta o dedo do meio para um repórter que havia perguntado se sua arquitetura não passa de espetáculo.

Falta agora responderem como entrosarão melhor seus projetos com a vizinhança. Nesse caso, o prédio do Facebook não avança em nada. Está isolado em Menlo Park, na Califórnia, cidadezinha onde tudo gira em torno do Facebook e os deslocamentos dependem do carro. Mas cuidado. Se Gehry for questionado sobre esse aspecto, talvez responda com outro dedo do meio.

Fonte: Blog Cidades sem fronteiras

 

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